Avançar para o conteúdo principal

Da chupeta até à bengala



[Um dos textos mais difíceis para mim de se escrever. Sim, Jo… Este é para ti.]

 Conhecemo-nos e já lá vão muitos anos, quase tantos quanto somos nascidos. Passamos por todas as fases juntos e não houve interregno algum que fosse capaz de separar tal amor.

 A Joana é como se fosse uma irmã para mim. Acompanha-me desde sempre e eu a ela. Desde muito pequenos que começamos a traçar um caminho juntos e foi esse mesmo caminho que nos guiou sempre na mesma direção.

 Somos os únicos que partilhamos tanto. Nós os dois já vivemos tantos que sempre que contamos a alguém as nossas histórias e aventuras, as horas passam… São precisas mesmo horas, literalmente, para contar tudo. Agora que penso nisto, coitadas das pessoas que já nos ouviram recordar o que já se passou. A paciência tem que ser enorme para nós.

 Mas, sempre foi assim. Sempre que um dizia: “Mata!”, o outro dizia: “Esfola!” e é nesta cumplicidade que sustentamos aquilo que é a amizade mais duradoura da minha vida. Chega a um ponto em que o carinho e a amizade tornam-se tanto que vira amor. Eu amo a Joana, como amaria alguém que fosse meu irmão. Dizemos constantemente um ao outro: “Isto não é amizade, mas sim amor de irmãos. E é bom que se mantenha assim por muitos e bons anos e com a particularidade de termos pais diferentes… Porque juntos na mesma casa, ninguém nos aguentaria”.

 Eu vivi tudo o que é importante de se viver com ela. Os meus segredos são os dela e os dela são os meus. A cumplicidade é enorme, o carinho também. As experiências e recordações que juntos guardamos irão ser decerto as melhores histórias que alguma vez iremos contar, seja a quem for. Algo que dura desde as chupetas até às bengalas, é algo que tem que significar muito para alguém e eu tenho a certeza: para nós significa-nos o Mundo.

 Confesso que foi a nossa infância que sustentou tudo o que até agora tem acontecido, mas arrisco-me a dizer que o que fizemos na adolescência e no nosso início de vida adulta foi o que deu a certeza de que irá ser eterno este sentimento todo que nutrimos um pelo outro. Fizemos as melhores asneiras juntos, fosse em que altura das nossas vidas fosse e a nossa rebeldia saudável é a qualidade que mais aprecio em nós. Existem demasiadas histórias que contadas, ninguém acreditaria. Mas, eu sei e ela sabe-o igualmente que aconteceram e são das melhores recordações que temos da Vida.

 Celebro mais um ano com ela. Na vida dela. É tão gratificante esta sensação… É muito boa de se sentir, mas torna-se tão nostálgico recordar que já vivemos tanto e na altura certa, que não me canso de recordar e voltar atrás no tempo, só para ter mais uma chance de poder a voltar fazê-lo com ela. Juntos, como sempre estivemos!

 Não me querendo alongar mais nas palavras, termino este texto tal como o comecei: para contar tudo acerca de nós, seria preciso muito tempo. Demasiado, até que alguém se iria fartar de tanta emoção que pudéssemos transparecer.

 Feliz aniversário, “Sem tempo para shots”.
 Amo-te! 

Rush

Cortejo. Maio/17. 
 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O carro, a praia e tu

Estás sozinho em casa e ligas-me. Prontamente, atendo-te e dizes que queres estar comigo. Não penso duas vezes e encontro-me contigo em 10 minutos.
 Apareces na minha rua e com um sorriso dizes para entrar no teu carro. Levas-me até à praia e dás-me a mão. Pedes desculpa e deixas-me sem reação. Pedes-me que te perdoe as chamadas não atendidas, as mensagens não respondidas, os desvios de olhar na rua, as traições e os dias que perdi à espera de ti. Sempre esperei e tu não. Fugias sempre que tinhas oportunidade e eu cegamente aceitava.
 Os anos passam e eu percebo que tu vais e voltas, mas nunca te esqueces do meu número e consequentemente, de mim. Ligas-me com alguma regularidade, mas só agora é que me quiseste ver. Enquanto isso, no teu carro dás-me a mão e olhas-me nos olhos, sabendo que não resisto a esse sorriso. Roubas-me um beijo. Pensando bem, não me roubaste só isso… Aliás, deixaste-me a zeros. Ainda assim, não tens pudor em deixar ainda mais o meu saldo negativo. O saldo d…

Conexões Pe(r)didas

Chegaste a casa e deparaste-te comigo na sala. Já era tarde, mas queria estar acordado para te ver assim que chegasses e assim o foi… Ficas tão giro de fato e gravata. E eu fico tão orgulhoso de te ver assim!
 Vens para o pé de mim, tirando o casaco e arrancando o cinto das calças. Descalças-te enquanto caminhas até mim e a gravata já se encontra no chão da sala-de-estar. Dás-me um beijo e ficas abraçado a mim. Perguntas-me o que estava a ver na TV e, ao final de alguns segundos, apercebes-te que estava a ver a minha série de conforto – “F.R.I.E.N.D.S.”. Aproveitas o facto de estarem umas fatias de pizza na mesa e comes, sem nunca me largares. Tão bom a sensação de sentir que pertenço a alguém e a um lugar. No final de contas, pertencíamos um ao outro e pertencíamos ali. Ao nosso ninho. Ao nosso conforto baseado em amor.
 Reparas que tenho a tua sweater velha da faculdade vestida e sorris para mim. Perguntas-me o porquê de a usar mais vezes que tu próprio – sendo o verdadeiro dono d…

Para o meu futuro Amor

Sejamos honestos, porque é a partir da honestidade que conseguimos aquilo que queremos. Eu quero viver um grande amor, porque acho que mereço! Quero ter direito aos clichês todos.

 Quero poder receber cartas de amor e respondê-las da mesma forma que me foram entregues. Quero passeios noturnos espontâneos e beijos no meio das frases. Quero tardes de cinema em casa e cafunés. Quero abraços no inverno para me aquecerem… Mas também os quero no outono, na primavera e mais uns quantos no verão. Enfim, quero-os durante todo o ano!

 Quero receber mensagens de “bom dia!” e quero vê-lo à minha espera para tomar o pequeno-almoço. Quero viajar por sítios que nunca conhecera e quero vê-lo fazer-me surpresas durante essas viagens! Quero que me leve a almoçar em Roma e também jantar em Paris. Quero que me leve a museus em Londres e me leve a ver musicais a Nova Iorque.

 Quero viver uma paixão ardente e um sexo incrível. Honestamente, todos sabemos que a parte física das relações ajudam a cimentar o…